O Orgulho

O orgulho muitas vezes é sutil e muda sempre de forma. Ele começa sempre com uma voz. Uma voz tagarela, incessante, que não para de falar dentro da mente. Já me senti assim muitas vezes, querendo estar com a razão. Quando toco violão, existe uma voz dentro de mim dizendo que devo ser melhor que meus amigos, que também são músicos. Muitas vezes detesto estar errado. Mas aprendi com o tempo que o silêncio é uma ótima ferramenta para reflexão, principalmente quando se trata de orgulho. Comparo o orgulho a sentimentos ruins porque ele vem sempre seguido da equivocada impressão de que eu estou certo e o outro errado, como se estivesse superior, melhor, mais certo. Muitas vezes este sentimento fica escondido, pois não quero mostra-lo. Dizer para o outro não julgar, também é orgulho, como se eu também não julgasse. Novamente o silêncio seria uma ótima ferramenta.
Às vezes me sinto orgulhoso por não fazer parte do sistema, ou da matrix, achando que estou mais certo que os outros, não sendo ativo num trabalho comum. Não sei se isso é uma boa ideia, sei que é certo seguir o Mestre Interior, mas não posso me tornar presunçoso por isso. Orgulho é não aceitar a vida e as coisas como são, como se Deus ou o Universo nos devesse algo. Sinto-me assim ás vezes. É achar que a vida nos deve alguma coisa. Porque todo mundo me trata mal? Porque as coisas não dão certo? Porque meus amigos me ignoram, ou são duros comigo? Porque meus pais me tratam assim? Porque meu grande amor me deixou? Orgulho é não perceber o quanto a vida é rica e o quanto ela me deu e dá todos os dias. Presto muita atenção na frase de Aleister Crowley que diz: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Tento viver assim. Mas isso muitas vezes me impediu de ser flexível. Quando eu namorava acontecia muito isso, queria ser sempre a pessoa que está certa. Acho que isso me fez atrasar na minha jornada. E às vezes ainda me faz. Com o orgulho ferido, aprendi a ficar quieto e começar tudo de novo.
Quantas vezes já sofri a toa por não decidir dar o braço a torcer numa discussão ou por não admitir que desta vez fui eu quem errei… Quantas vezes amarguei a solidão e pus a perder um dia feliz simplesmente por orgulho inútil. O orgulho se esconde muitas vezes na humildade, quando se tenta ser humilde demais, já me senti assim muitas vezes. Preciso agradar os outros. Dizemos “sim” as todas às pessoas porque queremos que elas gostem da gente. Não é errado ser bondoso, mas a necessidade de agradar os outros é outra história. Voluntariar-se num trabalho por amor ao próximo é uma coisa. Oferecer-se para que o próximo nos ame é bem diferente. Grande parte da nossa ocupação desenfreada vem de tentar realizar as expectativas dos outros. “Palmadinhas nas costas”. Esta é a forma mais óbvia de orgulho: viver para os louvores ou elogios. Ser bajulador demais. Muitas vezes me sinto desiquilibrado nesse sentido, e é difícil manter o equilíbrio. Se meu orgulho está se sobrepondo aos meus sentimentos leves e gostosos, tais como alegria, paciência e capacidade de relevar, o mais inteligente mesmo é começar a se responsabilizar por esta dinâmica. É verdade que o outro pode ter provocado uma situação incômoda, mas quem manda nisso tudo em princípio, sou eu mesmo.
Seria uma boa ideia prestar atenção no mau humor e interrompê-lo com uma gostosa e inteligente gargalhada de mim mesmo. Muitas vezes eu não descansava, porque ainda estava tentando provar alguma coisa aos meus pais, a ex-namorada, os professores da escola. Tentei parar de fazer isso, de todas as formas. Existe o orgulho bom, ter orgulho da família, das notas que se tira na escola, dos bons amigos… Mas é preciso ter equilíbrio, e muitas vezes me senti desiquilibrado e inflexível. Ainda acontece, mas tento procurar no silêncio a resposta certa. Alguns amigos deixaram de me visitar, ou estão se afastando. Eu sempre “corria atrás” porque me achava bonzinho. Eu sim estou certo, e eles estão errados. Isso também é uma forma de orgulho. A coisa mais difícil pra mim é aceitar as coisas como são. Sinto-me muito entediado, achando que o Universo me deve algo. Tento me equilibrar nesse sentido também, procurando me ocupar, meditando, sonhando sonhos bons, tentando fazer as coisas da melhor forma possível. Ser aberto, flexível, saber que existe uma razão para as coisas serem do jeito que são, que tudo tem um propósito. Saber seguir o Mestre Interior, sempre… Que não sou dono da verdade, que Deus me ama e me apoia, que é possível e sublime amar incondicionalmente. Não bajular demais e ter equilíbrio nas decisões. É assim que tento seguir, muitas vezes eu não consigo, mas peço ajuda a meu Mestre Interior.
– Rodrigo Giovani Borchardt
– Do livro Iniciação ao Propósito –

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De onde vim e para onde vou

Eu vim de um mundo
Onde todos são poetas
E artistas
Voltarei para lá
Para lá?
Não, bem aqui
Nunca sai desse lugar sagrado
Apenas me esqueci
Vendei meus olhos
Tampei meus ouvidos
Agora meus sentidos
Se abrem novamente
Minha mente começa fluir
Meu corpo pausa, recomeça
Tenho sede deste lugar
Meu pai é poeta
Minha mãe poetiza
Me tornei um buscador
Aos poucos, meu sonho se concretiza
Não sei porque esqueci deste lugar
Infinito, onde posso sonhar
Realizar sonhos em Universos sem fim
Sem começo
Reconheço
Recordar
Acordar
Doar
Co-criar
Amar
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Nos Mundos Livres –

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Batendo na porta do céu

Está um pouco frio, mas muito gostoso. Uma música suave, prestes a dormir. Bate na porta do céu, ora suavemente ao Pai Celestial, Poder Inescrutável e Infinito da Natureza. Pedi e serás atendido! É assim que a fé se transforma em prática, e palavras escritas se transformam em ânimo venturoso sem expectativa ansiosa. Já vi muitos milagres acontecerem, o que direi quando experimentarei o momento da União? Mas poderia suportar tanto êxtase e profunda paixão, com o coração a mil. Milhares de explosões de alegria fluem para o terceiro olho, seus olhos brilham como de um místico, suas mãos relaxam como a de um explorador do mistério. Tanta inspiração e beleza o fazem escrever palavras coerentes de profundo amor ao belo. O que fará daqui em diante? O que construirá? Constelações? Galáxias? Chuva de granizo no inverno? Fará flores desabrocharem num lindo toque de poesia ao se abrirem e mostrarem sua formosa exuberância. Os seus olhos brilham diante do belo, do fantástico e do maravilhoso, seu coração bate forte, e antes de fumar um cigarro, olha o horizonte, bate na porta do céu e digita a última palavra.
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Aqui e Agora para Sempre –

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Poesia da teoria musical

O caminho previsível do campo harmônico nos ajuda a utilizar a razão, um raciocínio linear que garante que nenhum acorde seja rebelde e fugitivo. E os acordes atonais? Estes são do nosso lado direito do cérebro, mais intuitivo, receptivo e imprevisível. Tanto a razão como a intuição são necessárias no caminho, pois formam a totalidade do yin yang. Precisamos da previsibilidade para entender a realidade objetiva, assim como da imprevisibilidade, para entender o mundo dos sonhos e da imaginação, assim o campo da arte se torna mais um realismo fantástico do que uma ideia presa à aprovação alheia.
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Olhar Visionário, ainda no prelo –

Adoração

Eu adoro e louvo ao Senhor
Dou glórias ao Infinito Amor
Pelo meu Labor, por minha Poesia
Vagabundagem e Nostalgia
Cantador, curador
Música e muita cor
Adoro no trabalho
No descanso
E no jogo de baralho
Como um rio manso
Viajo para Terras distantes
Além das fronteiras criadas
Somos Todos Amantes
Das Infinitas Possibilidades engendradas
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Insights Poéticos de Amor ao Todo –

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Criatividade

Atividade criativa
Tudo se move
Num maior “Love”
Mudança viva
É o que acontece
Para quem merece
Tudo conspira a favor
Sem tanto labor
O Tao do silêncio e movimento
Sentimento de paz
E um grande crescimento
É olhar pra dentro
Sem precisar estar em cartaz
O sentimento de ser notado
É manipulado pela mente
A ilusão está na gente
Não é se sentir um coitado
É mais sentir-se conectado
A todos, ao todo
A flor de lótus que sai do lodo
Cria e recria
Com muita magia
Na fluidez, na lucidez
E com muita alegria
Sem vaidade
Ou melhor
Sem dualidade
De maior ou menor
Feio ou belo
Bonito ou feio
Cria-se um elo
De mim e o universo que permeio
Sem freio ao meio
Sem um martelo na ferida
Transmutação querida
Que traz movimento, traz vida
Conjunto de soluções
Que se encontra nas multidões
Não é preciso estudar filosofia
Nem psicologia
Para apreender a humanidade
Bondade e maldade
Vai além
Da miséria e da caridade
De fazer o bem
Mesmo com honestidade
São conveniências
Que nos levam a experiências
Com tanta futilidade
Uns alegam sobriedade
Adeptos da normalidade
É possível se extrair do jogo
Quando está pegando fogo
Não sou contra o estudo
Nem em agarrar o escudo
Pode-se ficar mudo
E observar
A cena do teatro encerrar
Parabéns aos profissionais
Que seguem caminhos especiais
Está tudo perfeito
Tudo tem um jeito
Se aceito ou tenho preconceito
Tanto faz
Sem ser mordaz
Que jaz no leito
Que queima no peito
Vibração, evolução
Nova dimensão
O poder da não ação
Agir quando necessário
Todos os dias são dias de aniversário
O momento é agora
É propício
Sem desperdício
O universo colabora
Edificar o edifício
Pintar, cantar
Escrever, viver
Ler, apreender
Sem propósitos, sem metas
Com soluções discretas
O rio corre sozinho
É preciso fugir do ninho
Para voar
Transformar, conectar
Amar um amor que não é deste mundo
E com toda criatividade
Sem cair num abismo profundo
Fora da dualidade
Fluindo a cada segundo
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Céu sem Véu –

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Chegando

Balançando na dança
Coração tem esperança
Chega meu bem
No galope comigo vem
Pode parecer indomável
Mas é isso que torna
Tudo tão instável
É hora de brincar
É hora de cantar
Os sinais estão no ar
Desperta criança
A mais linda lembrança
Chega mais perto
Pois agora é possível
Algo mais tangível
Quando tudo pode dar certo
– Rodrigo Giovani Borchardt –
– Do livro Egocídio –

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